Como surgiram os Muscle Cars

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17 de novembro de 2008|Sem Comentários

Pontiac gto-judge-7
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Em meados dos anos 60, os consumidores americanos estavam cansados das “banheiras” repletas de cromados e exigiam individualidade e atitude. Foi nesta década que surgiram dois dos tipos mais fascinantes de automóveis que Detroit já produziu: o pony-car e o muscle-car. Mais tarde os dois tipos iriam se misturar, quando os ponies Mustang, Camaro e Firebird entrariam na corrida em busca de potência, como os muscle-cars — os “carros musculosos”, em alusão à aparência agressiva e grande potência.

pontiac-gto

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John DeLorean adaptou ao Pontiac Tempest um motor de 6,3 litros, o maior existente na
marca: nascia o GTO, precursor dos
muscle-cars. No alto, uma versão Judge de 1970

A história dos muscle-cars começa em 1964. O então engenheiro-chefe da Pontiac, John DeLorean (o mesmo que em 1980 construiria o esportivo de aço inoxidável que levava seu sobrenome; saiba mais), coloca no conservador Pontiac Tempest o maior motor V8 disponível na casa: um 389-pol3 (polegadas cúbicas) ou 6,3 litros, de 325 cv brutos. E batiza a criação com um nome “emprestado” da Ferrari: GTO.

As características desse tipo de carro passavam por um motor de grande cilindrada — V8, claro –, aparência robusta e grande oferta de opcionais, capazes de dar aos seus consumidores a tão desejada individualidade. Um anúncio do Dodge Challenger apregoava: “o carro que você compra quando não quer ser igual aos outros”.

Em 1965 o GTO ganhava faróis verticais e mais potência, para chegar a 96 km/h em apenas 6,6 s. A lista de opcionais era enorme

pontiac-gto-65

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Desde os anos 50 haviam projetos na General Motors para reavivar a imagem esportiva da Pontiac e aumentar seu prestígio. O GTO oferecia uma enorme lista de opcionais, para que o consumidor pudesse “fazer” seu carro. Fazendo as escolhas certas era possível ter um automóvel muito veloz e com ótimo comportamento dinâmico por um preço bastante atraente. Foi um sucesso absoluto.

Dois anos mais tarde, deixava de ser apenas uma versão do Tempest e se tornava um modelo independente. Modificações externas — como novos faróis verticais e lanternas traseiras — e mecânicas eram introduzidas, para dar ao carro mais potência e uma aparência ainda mais agressiva. O motor era o mesmo 389, mas agora gerando de 335 a 360 cv brutos, podendo atingir mais de 200 km/h e fazer de 0 a 60 mph (milhas por hora, equivalentes a 96 km/h) em apenas 6,6 segundos.

pontiac-gto-judge-conv

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Em 1969 chegava a versão Judge do GTO, em cupê (no alto) e conversível. O motor Ram Air possuía captação de ar sobre o capô, para maior enchimento dos cilindros
Ainda havia a opção de motor Ram Air (captação de ar sobre o capô para melhorar o enchimento do motor) de 400 pol3 (6,5 litros), que também gerava 360 cv brutos, mas a um regime mais elevado. Em 1969 chegava a versão Judge. O sucesso continuava e a moda dos muscle-cars tomava importância.

Com o sucesso do GTO, as outras marcas se apressaram em também oferecer seus “carros musculosos”. A Chrysler começou a adotar motores Hemi, assim chamados por possuírem as câmaras de combustão hemisféricas, em todos os modelos possíveis, produzindo alguns dos mais fantásticos carros da época. Foi da Dodge que saíram, por exemplo, o Charger e o Challenger. O primeiro, conhecido dos brasileiros pois desembarcou por aqui no início dos anos 70 com um motor V8 de 318 pol3 (5,2 litros), teve em 1968 sua versão mais potente e famosa.

 

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O Dodge Charger R/T é bem conhecido dos brasileiros, mas nos EUA oferecia um
imenso V8 de 7,2 litros e 440 cv brutos, potência que se evidenciava nos anúncios

O Charger R/T daquele ano utilizava um gigantesco V8 de 7,2 litros e 440 cv brutos, chegava a 250 km/h e fazia de 0 a 60 mph em 4,8 segundos. É claro que, com esses números, economia de combustível não era seu forte — fazia apenas 4,2 km/l –, mas isso não era problema numa época de gasolina farta e barata. O galão (3,785 litros) custava 10 centavos de dólar e os americanos tinham dinheiro como nunca para gastar.

O Charger possuía ainda uma versão batizada de Daytona, variação de rua do Charger criado para disputar as competições da NASCAR (associação que rege as provas de Stock-Car nos EUA) e vencedor da 500 Milhas de Talladega de 1969. Para ser homologado para as pistas o carro tinha de ter determinado número de unidades produzidas em série — neste caso, 505 exemplares. O Daytona utilizava o mesmo 440, mas preparado para gerar 375 cv brutos (nas pistas era usado o 426 Hemi, devido à limitação de cilindrada da NASCAR). Contava ainda com modificações externas para tornar o carro mais aerodinâmico: frente alongada e afunilada e enorme aerofólio traseiro. Este modelo, 20% mais aerodinâmico que os Chargers anteriores, é hoje uma raridade.

   
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O Challenger surgira como um pony-car, para concorrer com o Mustang, mas em 1970 ganhava porte e desempenho com o mesmo motor de 7,2 litros do Charger

O Challenger, por sua vez, havia sido lançado para competir com os pony-cars Mustang e Camaro, mas já em 1970 ganhava porte e potência, utilizando o mesmo motor 7,2-litros do irmão maior — o que lhe conferia desempenho extraordinário, por ser menor e mais leve que o Charger. Disponível nas versões cupê e conversível, era oferecido apenas com câmbio automático de três marchas. O Challenger teve em 1970 seu melhor ano em vendas. Tanto o Charger quanto o Challenger se tornaram bastante populares, figurando em filmes e seriados de TV, como Bullit, Corrida Contra o Destino e o seriado Os Gatões.

Fonte:  Texto: Rodrigo Fonseca – Edição: Fabrício Samahá – Fotos: divulgação

 

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