Reviravolta na venda da Opel e Vauxhall, GM ficará com o controle.


04 de novembro de 2009|Sem Comentários
Vista da Sede da GM na cidade de Detroit

Vista da Sede da GM na cidade de Detroit

A General Motors decidiu no começo da noite desta terça-feira (3) manter o controle da alemã Opel e de sua representante britânica Vauxhall, encerrando de forma até certo ponto surpreendente uma negociação que já durava meses com o consórcio Magna/Sberbank.

Aqui no Blog Contagiros tinhamos postado várias vezes que a negociaçao era dada como certa e sem volta.

De acordo com a agência de notícias Automotive News, os 13 membros do conselho da GM alegaram que a recuperação do ambiente econômico nos últimos meses foi fator determinante para manter Opel e Vauxhall no guarda-chuva de marcas que conta ainda com Chevrolet, Cadillac, GMC e Buick. Ao manter as filiais alemã e britânica, a GM terá de investir pelo menos 3 bilhões de euros (cerca de US$ 4,4 bilhões) em sua reestruturação, além de ter de negociar a situação dos trabalhadores junto a sindicatos e governos locais.

A médio e longo prazo, a montadora vê a marca Opel como fundamental para sua estratégia de ação global, que inclui ainda uma maior importância do mercado chinês nos planos da montadora, que perdeu a liderança mundial para a japonesa Toyota e também se vê ameaçada pela gigante alemã Volkswagen.

A decisão deve ainda repercutir favoravelmente no cenário brasileiro, uma vez que, historicamente, a filial local da GM baseou boa parte de sua linha em modelos da europeia Opel. Até o momento, no entanto, nenhuma declaração sobre a decisão da matriz americana foi feita por membros da GM do Brasil.

“A saúde financeira da GM melhorou consideravelmente em todos os aspectos ao longo dos últimos meses, e isso nos deu confiança para que os negócios europeus sejam reestruturados com sucesso”, afirmou o presidente da companhia, Fritz Henderson.

Henderson disse ainda que a GM apresentará em breve um plano de reestruturação da Opel para o governo alemão, que era defensor da compra do conglomerado europeu pela montadora de autopeças canadense Magna e pelo banco estatal russo Sberbank.

Anteriormente, a Fiat chegou a disputar o controle das marcas europeias de sua rival, mas sua proposta foi desbancada. No plano global, a Fiat acabou assumindo as operações de 20% da americana Chrysler, também combalida, após a crise econômica internacional.

O anúncio da GM, esperado desde o dia 23 de outubro, foi feito horas depois da montadora americana divulgar dados positivos de dendas referentes ao mês de outubro — aumento de 4% na comparação com o mesmo período de 2008.

As unidades europeias da GM compõem um importante centro de desenvolvimento da montadora, focado principalmente em carros compactos e médios, com motores a gasolina de pequeno porte.

CONTRARIANDO AS EXPECTATIVAS
Em processo de reestruturação e tendo que prestar contas ao governo dos Estados Unidos, a GM tomou uma atitude que pode ser considerada surpreendente, embora ainda não se saiba se equivocada, ao decidir manter o controle de seus braços europeus Opel e Vauxhall.

A montadora — que já havia se desfeito das marcas Saturn (vendida ao grupo americano Penske), Hummer (vendida ao grupo chinês Tengzhong) e Pontiac (extinta) e ainda negocia a sueca Saab — justificou que será menos custoso e mais seguro, sob todos os aspectos, manter as marcas europeias.

A venda da Opel, apesar de apoiada pelo governo alemão, era vista com restrições pelo governo e pelos principais sindicatos espanhóis, que chegaram a cogitar entrar em greve caso o negócio fosse concretizado. O mesmo ocorria no Reino Unido, em relação à Vauxhall.

Nas últimas semanas, a GM revelou estar trabalhando em uma espécie de “plano B”: manter o controle da Opel/Vauxhall.

NOVA AJUDA ESTATAL
O principal ponto a ser resolvido, com a manutenção do controle da Opel e da Vauxhall, é a reestruturação do conglomerado europeu. Pelos termos da agora extinta negociação, o governo alemão se comprometeria a injetar 4,5 bilhões de euros (cerca de US$ 6 bilhões de dólares ou algo como 1/10 da ajuda prometida pelo governo dos Estados Unidos ao assumir o controle operacional da GM pós-concordata) caso a Magna assumisse até 55% das operações europeias da GM. A fabricante de autopeças arcaria com cerca de 500 milhões de euros (pouco mais de US$ 700 milhões).

Em novas mãos, a Opel teria ainda de definir o futuro de seus 50 mil trabalhadores alemães. Especulava-se que até 10 mil operários perderiam seus empregos em cortes estratégicos.

Os trabalhadores da Opel ainda se comprometiam a abrir mão de parte de seus direitos trabalhistas e a contribuir com até 265 milhões de euros (cerca de US4 400 milhões) para o fundo de participações da montadora. Com esta opção, eles poderiam ficar com até 10% do controle da nova Opel.

Estas contas — a do corte de pessoal, da capitalização necessária para manter a Opel operante e da nova gestão operacional — terão de ser feitas pela GM, muito provavelmente com a ajuda dos governos europeus, que ainda não se manifestaram quanto à decisão tomada nesta terça-feira.

Fonte: UOL Carros

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